O logo da Copa de 2014

13 de julho de 2010

O logo da Copa de 2014 está causando polêmica. Muitos dizem que a figura assemelha-se à silhueta do espírita Chico Xavier. Outros afirmam que se trata de um homem envergonhado com a mão escondendo o rosto.

Sob o ponto de vista estético, especialistas consideram a figura de péssima qualidade, um verdadeiro atentado ao bom gosto. A Professora de Design da FAU-USP, Priscila Farias, sentenciou: “as formas estão terrivelmente mal resolvidas, e isso faz com que a figura, como um todo, pareça fraca, transmitindo a sensação de um desenho improvisado e pouco profissional, um tanto infantil e ingênuo, ao mesmo tempo sem a graça de um desenho de criança (…)”.

Segundo notícia do site bol (13/07/2010), a escolha do logo coube a uma comissão integrada por “Ivete Sangalo, Gisele Bündchen, Paulo Coelho, Hans Donner e Oscar Niemeyer, além do presidente da CBF e do Comitê Organizador Local da Copa (COL), Ricardo Teixeira, e do secretário da Fifa, Jérome Valcke”.

Os mais pessimistas já afirmam que o polêmico logo da Copa de 2014 é um prenúncio do que está por vir. Escolhido por pessoas que, em sua maioria, nada entendem do assunto, a logo marca foi tratada sem transparência e o resultado é esse que estamos vendo.


“Vai, Felipe Melo!!!”

2 de julho de 2010

Sempre que o Brasil perde alguma  Copa do Mundo, a imprensa e a opinião pública escolhem um jogador para imputar a responsabilidade pelo fiasco.

Na Copa de 1990 realizada na Itália, o culpado pela derrota brasileira perante a Argentina, ainda nas oitavas de final, foi o jovem volante Dunga; na Copa de 1998, o responsável pela derrota do Brasil contra a França na final foi o “fenômeno” Ronaldo, acusado de “amarelar” na noite que antecedeu aquele trágico jogo. Na Copa da Alemanha em 2006, sobrou para Roberto Carlos, a quem se atribuiu o ato culposo de arrumar a meia, enquanto a Thierry Henry empurrava a bola para o fundo do gol.

Na Copa da África do Sul, é fácil eleger um culpado pela derrota canarinha perante a Holanda: Felipe Melo, volante de 27 anos de idade, nascido em Volta Rendonda, Rio de Janeiro.

Durante toda a competição, o único momento de bom futebol mostrado  por Felipe Melo foi um bom passe  que deixou Robinho na cara do gol, permitindo ao craque abrir o placar na partida contra a Holanda. Contudo, as  inúmeras trapalhadas do volante vão apagar da memória aquele lampejo de inspiração. Na história, ficarão registrados o gol-contra e a pisada que lhe  rendeu a expulsão em momento crítico da partida, fato que arrasou o esquema tático do Brasil.

Felipe Melo não é forte  no futebol-arte. Foi escolhido por ser considerado um jogador de entradas duras. Dunga, nesse ponto, é culpado por escalá-lo. Antes da Copa, Melo havia sido expulso cinco vezes nas duas últimas temporadas, duas atuando pela Fiorentina, duas jogando pela Juventus e uma pela seleção do Brasil, nas eliminatórias para a Copa contra o Chile.

Curiosamente, muito antes da partida do Brasil contra a Holanda, o colunista Diogo Mainardi da revista Veja, mesmo não conhecendo muita coisa sobre futebol, havia feito uma crítica contundente contra Felipe Melo. Foi uma advertência sobre o que estava por vir.  De forma profética, o irônico jornalista, no artigo “A comédia da Copa”, deixou para eternidade as seguintes palavras:

“Mas o jogador do Brasil com o qual realmente me identifico é Felipe Melo. Sempre que, durante o programa de rádio, Wanderley Nogueira me passa a bola, eu me embanano todo e, como Felipe Melo, acabo recuando para o zagueiro. Na Copa do Mundo, minha torcida será inteirinha para ele. Ele me representa. Vai, Felipe Melo! Mostre ao mundo do que é capaz uma pessoa sem talento, sem juízo e sem discernimento.”

É isso mesmo, Mainardi.  De fato, Felipe Melo mostrou ao mundo do que é capaz. Provavelmente, nunca mais vestirá a camisa verde e amarela.


Dunga: culpado ou inocente?

22 de junho de 2010

Em tempos de Copa do Mundo, impossível não comentar certos fatos ligados ao universo da jabulani. O blog pode até ter a pretensão de ser jurídico, mas o blogueiro definitivamente não vive apenas de Direito. Por isso, vamos escrever algo sobre Dunga.

Somente um idiota ou um jornalista cego pelo corporativismo não percebe o óbvio: existe, em setores da imprensa, um movimento para derrubar o atual Técnico da Seleção Brasileira de Futebol. Críticas, provações e ataques pessoais marcam uma cobertura jornalística feita por profissionais de comunicação que, apesar de não saberem chutar uma bola, querem ser os donos da verdade.

Evidentemente, há motivos para essa postura agressiva da grande imprensa. Quem não se lembra do Mundial de 2006, realizado na Alemanha? Era uma festa! Jornalistas da Rede Globo dentro do hotel da seleção. Ronaldo “Bola” mandando beijos para o Galvão Bueno. Um verdadeiro circo que ajudou a aumentar a audiência, vender jornais e aumentar o lucro dos meios de comunicação.

Carlos Caetano Bledorn Verri, mais conhecido como Dunga, moralizou essa baderna. Não existem mais entrevistas exclusivas e bajulações. Sobram a seriedade e amor à camisa nos nossos atletas, unidos em torno do técnico. O pensamento de Dunga é claro: a liberdade da imprensa não pode atrapalhar a preparação da seleção.

Assim, por força da postura cínica da imprensa, o técnico brasileiro participa das coletivas com uma postura defensiva e está pronto para a guerra, mesmo contra a poderosa Rede Globo de Televisão, que teve um de seus jornalistas chamado de “Cagão”. Não vou cair no discurso do moralismo e do politicamente correto. Entendo o ato do técnico: é natural no universo tenso e apaixonado do futebol.

Dunga é homem de coragem. Sabe que, se não trouxer o caneco, será submetido a uma execração pública que amaldiçoará seu nome por gerações. Contudo, esse homem não abriu mão de suas convicções. Dunga está no banco dos réus do tribunal da história. Em breve, saberemos se ele será julgado culpado ou inocente.

Update -27 de julho de 2010

Passados mais de 30 dias desde a derrota do Brasil perante à Holanda, é interessante fazermos uma análise das consequências desse fato sobre a imagem de Dunga. Apesar do fiasco na luta pelo hexa, parece que Dunga não saiu tão “queimado” da seleção. Certos valores por ele defendidos, como o “amor à camisa” e o fim dos privilégios para jogadores e empresas de televisão, não podem e não devem ser esquecidos pelo sucessor Mano Menezes. Na realidade, os acontecimentos negativos na Copa da África apenas consolidaram a imagem de “grosseirão” e teimoso (“Dunga Burro”) em torno da personalidade do ex-técnico.   Ao que tudo indica, o malogrado jogo contra a Holanda será um lamentável episódio que muitos, justa ou injustamente, associarão às falhas do goleiro Júlio César e do volante Felipe Melo.


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